Não te arrependas (Goethe)
Escrito por Goethe   
Seg, 05 de Setembro de 2011 18:09

Não te arrependas, amada, porque a mim tão depressa te deste!
Podes crer, nem por isso de ti penso coisas insolentes e vis!
Vária é a ação das setas do amor: algumas arranham,
E do rastejante veneno languesce pra anos o peito.
Mas, com penas potentes e gume afiado de fresco,
Outras penetram até ao tutano e rápido inflamam o sangue.

Nos tempos heroicos, quando deuses e deusas amavam,
Ao olhar seguia o desejo, ao desejo o prazer.
Crês tu que a deusa do amor pensou muito tempo
Quando no bosque de Ida um dia Anquises lhe agradou?

Se Luna tardasse a beijar o belo dormente,
Auiora, invejosa, em breve o teria acordado.
Hero descobriu Leandro no festim ruidoso, e, ligeiro,
Ardente saltou o amante pra corrente noturna.
Rhea Sílvia, a virgem princesa, vai descuidosa,
Buscar água ao Tibre, e o deus dela se apossa.
Assim Marte gerou os seus filhos! – Uma loba amamenta    
Os gêmeos, e Roma nomeia-se princesa do mundo.

(Poesia: Wolfgang Von Goethe, in “Elegias Romanas” – Foto: Belino Diniz)

 

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